O blockchain promete uma série de avanços na cadeia de suprimentos, dando mais eficiência, visibilidade e transparência às operações. A tecnologia, que inicialmente era usada apenas para transações com bitcoins, funciona como uma base de dados distribuída, em que os blocos de informações vão se conectando e formando um contexto mais completo, seguro e rastreável.

Dados divulgados em setembro deste ano pelo IDC apontaram que, até o final de 2018, devem ser gastos US$ 2,1 bilhões no desenvolvimento de produtos e serviços utilizando o blockchain. No Brasil, as empresas ainda estão dando os primeiros passos nessa tecnologia, já que, segundo o levantamento feito pela consultoria, de 4,2 mil startups, apenas nove estão aplicando blockchain nos negócios. O país ocupa a 11ª posição no uso de blockchain.

Na logística, o blockchain permite que todos os produtos tenham sua jornada rastreada em todos os momentos da cadeia de produção. Diante deste cenário, a implementação de tecnologias de blockchain podem ajudar as empresas a registrarem preços, datas, localização, qualidade, conformidade e outros dados relevantes para gerenciar com eficiência a cadeia de suprimentos.

Com isso, é possível garantir a qualidade final dos itens, fortalecendo a imagem corporativa ao garantir a confiabilidade dos insumos usados na fabricação e a segurança na entrega, aumentar a visibilidade, a transparência e a conformidade de todos os contratos e processos, aumentando a credibilidade e a confiança pública nos dados compartilhados, reduzir gastos com papelada e custos administrativos, e aumentar o engajamento entre todas as partes envolvidas, desde a produção até o cliente final.

Confiabilidade na linha de produção

Sem transparência, segurança e rastreabilidade, seja em cadeias de suprimentos globais ou locais, é extremamente complicado identificar se existe alguma fraude ou prática ilícita nas linhas de produção. A tecnologia blockchain na área de logística permite verificar a origem e a autenticidade dos suprimentos que fazem parte de cada etapa da cadeia, garantindo a qualidade do produto final. Contratos inteligentes, que passam a ser um dos blocos da cadeia, definem as regras sobre as transações e automatizam as interações entre as partes.

Na fabricação de aviões, por exemplo, o blockchain pode facilitar a garantia da qualidade dos suprimentos. Na transação de peças que vão ser usadas na montagem da aeronave, contratos inteligentes podem rastrear a procedência de cada peça conforme sua integração aos processos logísticos.

Seu trajeto desde a sua linha de produção até o local onde vai ser usada na montagem é longo: a peça sai da fábrica em um caminhão contêiner que é descarregado no armazém em um determinado porto. Dali, esse contêiner é enviado ao porto de destino, onde é carregado em um caminhão, entregue na distribuidora e, então, encaminhado ao seu destino – o pátio da empresa fabricante.

Como o blockchain funciona como um bloco de informações, onde todos os processos e transações formam um histórico único e criptografado de ponta a ponta, e com a inserção de contratos inteligentes nessa cadeia, é possível garantir a integridade dos processos e ter certeza de que a peça que chegou ao pátio de montagem é a legítima.

Um contrato inteligente funciona como se fosse um contrato normal firmado entre duas partes, com a diferença de que ele é digital, não pode ser perdido ou adulterado, e é executável. Com isso, é possível garantir a execução de acordo automatizado, eliminando intermediários e, consequentemente, gerando menos burocracia e mais agilidade.

Na saída da fábrica, é gravado um número de rastreamento, que é digitalizado e se torna a primeira entrada no blockchain. A partir daí todas as etapas da logística passam a monitoradas, independentemente do número de fornecedores e transportadores que manipulem o item.

Com isso, a tendência é que os processos logísticos se tornem cada vez mais automatizados e integrados à toda a cadeia produtiva, garantindo mais segurança e qualidade à linha de produção, evitando riscos e reduzindo custos.

Por Jefferson Castro, gerente de produto da Atech.

Fonte: CargoNews

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